<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-30664371</id><updated>2011-05-25T21:08:11.356-07:00</updated><title type='text'>Terceira cena</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://terceiracena.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30664371/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://terceiracena.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Terceira cena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03410209481091663771</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>33</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30664371.post-4085931907675881896</id><published>2008-03-18T03:36:00.000-07:00</published><updated>2008-03-18T04:03:40.242-07:00</updated><title type='text'>Em clausura da.</title><content type='html'>Sem nenhuma pretensão de ser capaz de explicar. Qualquer coisa. Coisa nenhuma.&lt;br /&gt;Quando o vento bate em plantas banhadas de fumo, o cheiro não é bom. Não é um cheiro acre, que este é belo de escrever mas nunca o senti. E a chuva em São Paulo fede. Carrega metano, e traz consigo um cheiro ruim de coisas deixadas para trás. Não acabadas. Mas o vento...o vento é sempre bom.&lt;br /&gt;Vejo daqui uma chama de vela resistindo ao vento que traz a chuva. Ela treme, e resiste. Causa um bruxulear amarelo... talvez em cada momento de resistência emanemos esse mesmo bruxulear... mas não nos damos conta, assim como a chama, pura energia materializada, sem forma, sem corpo, não sabe de seus efeitos de luz. Apenas resiste. Assim como eu, não tenho consciência nem da luz, nem do bruxulear, nem da resistência, apenas estou. E permanecerei estando até o dia em que, por alguma razão, que não se explica, a não ser como o fim de todos, destino de vida... deixarei de estar. Sem mais. Apenas assim.&lt;br /&gt;A moça canta, de voz correta, afinada. O céu muito escuro, clareia quando a chuva desaba, por seu peso, do céu. E a vida segue, e as dúvidas e medos nos dão a sensação de uma suspensão no tempo, que não é real. Porque nos vemos tão importantes. Porque é triste saber que não importa o que você decida a vida segue e o tempo com ela, e todos estamos tão vidrados em nós mesmos que as decisões alheias são só decisões. Então, por que achamos que conosco é diferente?&lt;br /&gt;Talvez não exista nenhum grande sistema, e a maravilha do micro que contém em sua forma o macro, seja apenas coincidência que, com mentes enlouquecidas, conectamos segundo nossos desejos. Nem haja razão pra nada, e tudo é uma sequência de atos sem propósito, soltos ao acaso, que não levarão à nada. E de nada adianta.&lt;br /&gt;Talvez tudo esteja perfeitamente encadeado numa cadeia de infinitos ínfimos, genialmente interligados, que se revelam num gigantesco sistema que se autogera, onde tudo tem uma mágica importância. E de tudo adianta.&lt;br /&gt;O que seria pior?&lt;br /&gt;Eu poderia agora largar essa caneta e sair para a chuva. Mas não o faço. Por quê? Por que não quero? Ou porque me é impossível fazer isso, já que neste momento tenho de estar aqui e, sem compreender, simplesmente o faço. E que importância tem o que faço ou por que o faço? Isso me levaria à justificativa de que posso não fazer nada e não fará nenhuma diferença. Talvez não faça. Mas se isso for reverberando e de repente, trinta milhões de pessoas resolverem fazer o mesmo, isto é, nada fazer, é provável que faça algum estrago.&lt;br /&gt;Cortei o dedo e o sangue não cessa. São gotinhas, mas são incessantes. Que diferença faz uma gota de sangue? Mas se todo o meu sangue resolver sair gota a gota pelo meu dedo? Daria para manchar um lençol.&lt;br /&gt;Daí chego à conclusão de que tudo é quantidade.&lt;br /&gt;E isso parece pouco nobre.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30664371-4085931907675881896?l=terceiracena.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://terceiracena.blogspot.com/feeds/4085931907675881896/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30664371&amp;postID=4085931907675881896' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30664371/posts/default/4085931907675881896'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30664371/posts/default/4085931907675881896'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://terceiracena.blogspot.com/2008/03/em-clausura-da.html' title='Em clausura da.'/><author><name>Terceira cena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03410209481091663771</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30664371.post-2073266399289315988</id><published>2007-08-10T13:24:00.000-07:00</published><updated>2007-08-10T13:36:13.473-07:00</updated><title type='text'>Ratinho</title><content type='html'>Roc. Roc. Roc. Se a cabeça não pára, o corpo padece. Roc. Roc. Roc. O mesmo texto já dito repassa na cabeça em mil formas outras. Quem me ensinou a trabalhar a cada segundo? Roc. Roc. Roc. Um ratinho roendo meu cérebro. Comendo pelas beiradas. Não dá ponto sem nó. Vai me arrastar até de manhã. Roc. Maldito sol que nunca se pôe. Ardendo na minha testa. A fronte em fogo. Não é mais hora de febre. Roc. Roc. Roc. Três horas e seis minutos de uma manhã e eu escrevendo essa merda. Roc. Eu juro, ratinho, amanhã eu trabalho. Me deixa dormir. Lágrimas de sono nos cantos dos olhos. Os travesseiros suspiram. O sono sentado na beira da cama esperando o camundongo se mandar. Roc. Um saquinho de sonhos no colo. Roc. Roc. Roc. Roendo os cantinhos. E eu estalada. Estrelada. Estatelada. Cruelmente acordada. Banho quente e nada. Leite morno e nada. Troco as temperaturas. Nada. Com coberta dá calor. Sem coberta dá frio. Se ele não vem eu frustro. Se ele vem eu... SUSTO! Roc. Roc. Roc. Assusto! Maldito queijo suíço. Esburacada, desencaminhada. ACORDADA. Insônia mais sem poesia. Roc. Roc. Roc. Vai me roendo. Três horas e treze minutos. Se fosse treze e treze eu fazia um pedido e almoçava. Roc. Roc. Roc. Nem almoço, nem faço pedidos, nem durmo. Roc. Quando a cabeça não pára o corpo padece...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30664371-2073266399289315988?l=terceiracena.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://terceiracena.blogspot.com/feeds/2073266399289315988/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30664371&amp;postID=2073266399289315988' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30664371/posts/default/2073266399289315988'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30664371/posts/default/2073266399289315988'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://terceiracena.blogspot.com/2007/08/ratinho.html' title='Ratinho'/><author><name>Terceira cena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03410209481091663771</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30664371.post-5891341614576691898</id><published>2007-08-10T13:12:00.000-07:00</published><updated>2007-08-10T13:24:48.978-07:00</updated><title type='text'>Dois Achados numa Noite Suja</title><content type='html'>E estavam eles ali. Os dois. Os inícios. Os inícios de tudo. Com a grande dúvida! Quem chegou primeiro: o ovo ou a galinha?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma competição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque tudo se resume a isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Competir. Todos eles. Todos nós. Competindo. Competindo pela resposta. Pelo olhar. Pelo carinho. Pelo amor. Pelo dinheiro. Pelo primeiro lugar. O lugar único. O lugar daquele que nunca é esquecido. O lugar dos tortos. Dos cais dos portos. Dos errantes. Dos que não têm mais nada. Das namoradas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A corrida não chegará ao fim, posto que todos chegaremos ao mesmo lugar, mas em momentos diferentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;" Do pó viemos, ao pó voltaremos." (E nem todos somos cocaínomanos.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas os tempos são tão distintos. Por isso disputamos o que aqui pode ser conquistado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não haverá respostas para as perguntas. Nem ninguém chegou primeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E os dois achados numa noite suja (porém divertida e brilhante) seguem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como um ovo e uma galinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De mãos dadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Para Rodrigo. &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Meu grande amor jamais correspondido! (na cama, claro).&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30664371-5891341614576691898?l=terceiracena.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://terceiracena.blogspot.com/feeds/5891341614576691898/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30664371&amp;postID=5891341614576691898' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30664371/posts/default/5891341614576691898'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30664371/posts/default/5891341614576691898'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://terceiracena.blogspot.com/2007/08/dois-achados-numa-noite-suja.html' title='Dois Achados numa Noite Suja'/><author><name>Terceira cena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03410209481091663771</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30664371.post-2569286068572643495</id><published>2007-08-01T14:43:00.000-07:00</published><updated>2007-08-01T14:51:09.381-07:00</updated><title type='text'>O Indiferente</title><content type='html'>Acordou.&lt;br /&gt;Falhando.&lt;br /&gt;Um dia pouco comum, porém tantas vezes repetido.&lt;br /&gt;Nos perfeitos há tantas gigantescas falhas.&lt;br /&gt;Dormiu.&lt;br /&gt;Falhada.&lt;br /&gt;Um dia muito comum, porém tão pouco repetido.&lt;br /&gt;Nos imperfeitos há tantas gigantescas falhas.&lt;br /&gt;Acordou.&lt;br /&gt;Falhando.&lt;br /&gt;Foi acordado.&lt;br /&gt;Falhando.&lt;br /&gt;O telefone falhando.&lt;br /&gt;A comunicação falhando.&lt;br /&gt;O garçom falhando.&lt;br /&gt;Se a palavra falha fosse esmiuçada teria algo a ver com incapacidade.&lt;br /&gt;Ou com preguiça.&lt;br /&gt;Preguiça de explicar.&lt;br /&gt;Preguiça de entender.&lt;br /&gt;Preguiça de continuar.&lt;br /&gt;Acordou.&lt;br /&gt;Falhando.&lt;br /&gt;E com preguiça.&lt;br /&gt;Nada de explicações nem entendimentos.&lt;br /&gt;A continuidade rompida.&lt;br /&gt;A falha falhando.&lt;br /&gt;Não como fragilidade.&lt;br /&gt;Não como tristeza.&lt;br /&gt;Não como incapacidade.&lt;br /&gt;Apenas preguiça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Julho/2007.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30664371-2569286068572643495?l=terceiracena.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://terceiracena.blogspot.com/feeds/2569286068572643495/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30664371&amp;postID=2569286068572643495' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30664371/posts/default/2569286068572643495'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30664371/posts/default/2569286068572643495'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://terceiracena.blogspot.com/2007/08/o-indiferente.html' title='O Indiferente'/><author><name>Terceira cena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03410209481091663771</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30664371.post-8794178115116991621</id><published>2007-03-07T20:50:00.000-08:00</published><updated>2007-03-07T21:04:35.441-08:00</updated><title type='text'>DESPERDÏCIOS.</title><content type='html'>O que me dói é o desperdício. Mais do que a falta que alguém me faz, mais do que a raiva das coisas que se recusam a ser como eu quero, mais do que a vontade de que as coisas que não acontecem aconteçam ( e essa sim, me consome horas e horas da vida), mais do que tudo isso, o desperdício. Como me dói e irrita quando há desperdício. Qualquer desperdício, desde o mais simples como o da água, mas não menos importante, até o mais complexo e ironicamente talvez menos importante, da vida. Porque o desperdício é por si mesmo estúpido. Mais estúpido que o medo, que a fuga, que o desamor (que não é em si falta de amor, não confundamos), mais até do que a própria estupidez. Quando se permite que a vida seja desperdiçada e aí pode ser desde algo belo que alguém tinha para dizer e não disse até a noite que poderia ter sido especial e não foi, até o momento em que você tinha de ter ido embora e não foi capaz como não foi capaz de ficar quando precisava, nem de pedir que o outro ficasse.&lt;br /&gt;E ai está: desperdício; como aquele das camas que faltam e sobram e das pessoas que faltam ou sobram nas camas. Como a tinta da caneta que eu gasto escrevendo coisas que, na verdade, não importam e que não me livram de desperdiçar nada. Porque aqui estou eu desperdiçando idéias e palavras... e tempo. E amor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30664371-8794178115116991621?l=terceiracena.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://terceiracena.blogspot.com/feeds/8794178115116991621/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30664371&amp;postID=8794178115116991621' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30664371/posts/default/8794178115116991621'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30664371/posts/default/8794178115116991621'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://terceiracena.blogspot.com/2007/03/desperdcios.html' title='DESPERDÏCIOS.'/><author><name>Terceira cena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03410209481091663771</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30664371.post-40994223122346779</id><published>2007-02-16T06:42:00.000-08:00</published><updated>2007-02-16T06:52:02.209-08:00</updated><title type='text'>À pequena Menina grande.</title><content type='html'>Tenho a sensação de que aqui brota água, e ela nos seus brotos me inunda. Tenho a sensação de que nessa água brotam flores que com seus brotos me acariciam. Tenho a sensação de que nessas flores brotam afetos que com seus brotos me embalam. Tenho a sensação de que nesses afetos brotam sons que com seus brotos me iluminam. Tenho a sensação de que nesses sons brotam luzes que com seus brotos me impulsionam. Tenho a sensação de que nessas luzes brotam ímpetos que com seus brotos me atravessam. Tenho a sensação de que nesses ímpetos brotam lâminas que com seus brotos me fortalecem. Tenho sensações. Isso é furiosamente mágico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;                                        Início de 2007.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30664371-40994223122346779?l=terceiracena.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://terceiracena.blogspot.com/feeds/40994223122346779/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30664371&amp;postID=40994223122346779' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30664371/posts/default/40994223122346779'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30664371/posts/default/40994223122346779'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://terceiracena.blogspot.com/2007/02/pequena-menina-grande.html' title='À pequena Menina grande.'/><author><name>Terceira cena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03410209481091663771</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30664371.post-116999115424917469</id><published>2007-01-28T05:08:00.000-08:00</published><updated>2007-01-28T05:32:34.260-08:00</updated><title type='text'>sins em nãos</title><content type='html'>Não dizer não. Não mais dizer não. Isso seria dizer sim? Não tentar não procurar. Isso seria procurar?  Insistir na negativa da negativa da negativa para chegar à afirmativa. O não sobre o não para trazer o sim. Complicar tudo, remexer, revirar, remover, demover, remoer, para que o outro se perca nos infinitos nãos e não perceba o sim. A incapacidade negativa de afirmar. Como complicar mais? A genialidade infantil de confundir para fundir. A possibilidade do sim na probabilidade do não. Te ver não sair da minha cama seria tê-lo para sempre deitado nela? Não te ouvir dizer não é igual a te ouvir dizer sim? Não querer não ter saudade seria gozá-la em toda sua imensa dor? Peço-te na minha intensa negativa que cesses de me confundir. Que deixe de somar as negativas para que eu não me perca mais nas infinitas afirmativas negadas.&lt;br /&gt;Porra, afinal o não é não ou é sim?&lt;br /&gt;Eu ouvi de um grande homem: Sim, talvez seja não.&lt;br /&gt;Torço pelo sim, como torço pelo não quando são o que são e não a tentativa do outro. Não mais não te amar. Podes não deixar de não entender?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30664371-116999115424917469?l=terceiracena.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://terceiracena.blogspot.com/feeds/116999115424917469/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30664371&amp;postID=116999115424917469' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30664371/posts/default/116999115424917469'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30664371/posts/default/116999115424917469'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://terceiracena.blogspot.com/2007/01/sins-em-nos.html' title='sins em nãos'/><author><name>Terceira cena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03410209481091663771</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30664371.post-116899829534692145</id><published>2007-01-16T17:40:00.000-08:00</published><updated>2007-01-16T17:44:55.356-08:00</updated><title type='text'>Apenas hoje</title><content type='html'>Apenas hoje, não se engane, eu também não me engano. Apenas hoje, não há nada a dizer.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30664371-116899829534692145?l=terceiracena.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://terceiracena.blogspot.com/feeds/116899829534692145/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30664371&amp;postID=116899829534692145' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30664371/posts/default/116899829534692145'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30664371/posts/default/116899829534692145'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://terceiracena.blogspot.com/2007/01/apenas-hoje.html' title='Apenas hoje'/><author><name>Terceira cena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03410209481091663771</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30664371.post-116853672392586700</id><published>2007-01-11T09:27:00.000-08:00</published><updated>2007-01-11T09:32:03.926-08:00</updated><title type='text'>Liberdade, ainda que tardia.</title><content type='html'>Tem gente que nos livra da dor. Da solidão. Do medo do escuro. Tem gente que nos livra da saudade, da depressão, das lágrimas, da insônia. Tem gente que nos livra da comida, da bebida, dos sonhos. Tem gente que nos livra da paciência, da alegria, da infância. Tem gente que nos livra da lembrança, da tolerância, do sono, do chão. Tem gente que nos livra das pernas, das mãos, do bom-senso. Tem gente que nos livra das medidas, das aspirinas, das fronteiras. Tem gente que nos livra da paz, da família, do sossego.&lt;br /&gt;Você me livrou de mim. Eu agradeço.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30664371-116853672392586700?l=terceiracena.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://terceiracena.blogspot.com/feeds/116853672392586700/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30664371&amp;postID=116853672392586700' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30664371/posts/default/116853672392586700'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30664371/posts/default/116853672392586700'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://terceiracena.blogspot.com/2007/01/liberdade-ainda-que-tardia.html' title='Liberdade, ainda que tardia.'/><author><name>Terceira cena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03410209481091663771</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30664371.post-116853641420766903</id><published>2007-01-11T09:14:00.000-08:00</published><updated>2007-01-11T09:26:54.216-08:00</updated><title type='text'>Perdoado</title><content type='html'>Você não enxerga bem. Seus óculos te denunciam. Então, apenas por esse dado, e somente por ele, eu te perdôo.&lt;br /&gt;Perdôo você não ter me visto encantada, os olhos brilhando, as mãos pingando o suor dos que descobrem no outro o não-pensado.&lt;br /&gt;Perdôo você não ter visto, tempos depois, eu apaixonada, sorrindo sem propósito, comendo, encolhida, na tua mão. A maquiagem fora de hora, as cartas fora de moda, a voz fora do tom, os presentes fora do calendário.&lt;br /&gt;Perdôo você não ter visto o ciúme, as noites contadas em lágrimas, o ódio nos olhos que explodiam em falta. A espera.&lt;br /&gt;Perdôo você não ter me visto no meio-fio, na chuva, o rímel escorrendo.&lt;br /&gt; Perdôo você não ter visto cada gesto carregado de mensagem, cada olhar implorando uma resposta, a boca que mendigava os beijos que nunca vinham.&lt;br /&gt;Perdôo você não ter visto o fio que puxou na minha blusa, a brasa de cigarro na minha pele, o tremor na cadeira quando tuas coxas roçaram as minhas. ( Ah! os tremores, ah! as cadeiras e por Deus... ah! as tuas coxas!)&lt;br /&gt;Se ao menos eu tivesse sabido dizer, você, que não enxerga bem, mas que eu sei, não é surdo, talvez tivesse entendido.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30664371-116853641420766903?l=terceiracena.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://terceiracena.blogspot.com/feeds/116853641420766903/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30664371&amp;postID=116853641420766903' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30664371/posts/default/116853641420766903'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30664371/posts/default/116853641420766903'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://terceiracena.blogspot.com/2007/01/perdoado.html' title='Perdoado'/><author><name>Terceira cena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03410209481091663771</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30664371.post-116645929905026395</id><published>2006-12-18T08:16:00.000-08:00</published><updated>2006-12-18T08:28:19.063-08:00</updated><title type='text'>dia sem pontuação II</title><content type='html'>Me derramo como única opção na luz da manhã mais fresca de muitos anos não durmo não porque o sono me falta mas porque você me sobra irrompe na noite trazendo a luz nos lábios não me deixa saída não porque me impõe mas porque me abre infinitas portas de entrada nada de querer escapar quero apenas teus braços em torno de mim é tão mais simples o cheiro do corpo o sussurro contido que não se contém e irrompe em um gemido amortecedor em meus ouvidos um rompante de vida em meio a tanto absurdo um grito de sim cobrindo os nãos repetidos sou sua não no peso de se ter alguém acorrentado a teus pés que te impede de caminhar mas c0mo um sopro um impulso um rompante de uma alegria que não se esgota sem dor não mais chorar apenas a sensação de muito ar nos pulmões já mal acostumados as pernas trêmulas de desejo de não partir sinto teu cheiro à distância te busco nas pequenas coisas te encontro em mim claro como uma manhã de verão pele alva alma límpida queria por um instante que você se transformasse em vento para te sentir na pele e nos cabelos como coisa efêmera mas transformadora que desfaz o penteado desarruma a roupa desorganiza a vida te quero como há muito desejei ser capaz de querer sem receios apenas desejo em cada poro um infinito desejo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30664371-116645929905026395?l=terceiracena.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://terceiracena.blogspot.com/feeds/116645929905026395/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30664371&amp;postID=116645929905026395' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30664371/posts/default/116645929905026395'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30664371/posts/default/116645929905026395'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://terceiracena.blogspot.com/2006/12/dia-sem-pontuao-ii.html' title='dia sem pontuação II'/><author><name>Terceira cena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03410209481091663771</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30664371.post-116593241735701268</id><published>2006-12-12T05:56:00.000-08:00</published><updated>2006-12-12T06:06:57.366-08:00</updated><title type='text'>No meu canto</title><content type='html'>Ele tem um cheiro que me atordoa. Acordo no meio da madrugada, em pânico, porque ele me invade. Tenho medo de dormir, que é quando ele me apanha. E me arrebenta as entranhas. Estranhamente viva. Cada poro dele exala que ele já se vai, os olhos já em outro canto. Eu canto. Espero a hora dele vir como anseio sua partida, porque sua presença me mata. Quando ele está não respiro direito, minhas lágrimas decompassam, o coração hesita. O corpo todo convulsiona.  Sua voz é como o canto da morte. E eu canto. Um rio de águas claras onde me afogo. Cabelos de algas, a mulher boiando, sem governo, sem destino. À deriva. Me coloca depois, sentada, à sua espera, em um canto. E eu canto. Feliz de não ter voz, tragada pela fumaça, consumida pela alegria, exausta de mais sonhar. Eu canto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30664371-116593241735701268?l=terceiracena.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://terceiracena.blogspot.com/feeds/116593241735701268/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30664371&amp;postID=116593241735701268' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30664371/posts/default/116593241735701268'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30664371/posts/default/116593241735701268'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://terceiracena.blogspot.com/2006/12/no-meu-canto.html' title='No meu canto'/><author><name>Terceira cena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03410209481091663771</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30664371.post-116446695315782030</id><published>2006-11-25T06:45:00.000-08:00</published><updated>2006-11-25T07:02:33.173-08:00</updated><title type='text'>Irmãs</title><content type='html'>Naquela noite elas brigaram. De verdade. Uma já não podia aguentar a outra. A outra insistia em ficar. Desesperador. Continuava falando, a cabeça da uma que já não podia pensar com tanta conversa. As penas do travesseiro voavam pelo quarto. Dir-se-ia que por ali havia um galinheiro. Milhões de galinhas pulando, gritando, se debatendo umas nas outras no quarto minúsculo. O colchão soltava suas molas, pulavam enlouquecidas em todas as direções, tudo para tentar expulsar a desgraçada que não se ia. Pensou em chamar a polícia. A outra riu. Fizesse isso. Acabaria internada. Tentou se bater contra as paredes, arrancar a própria cabeça, tomar caixas de remédios, os litros de uísque. Esforço inútil no tempo. Se estapeou com a outra por horas. Vencida, chorou até ver a luz do sol. Não adiantava. Nunca. Não podia vencer a insônia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30664371-116446695315782030?l=terceiracena.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://terceiracena.blogspot.com/feeds/116446695315782030/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30664371&amp;postID=116446695315782030' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30664371/posts/default/116446695315782030'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30664371/posts/default/116446695315782030'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://terceiracena.blogspot.com/2006/11/irms.html' title='Irmãs'/><author><name>Terceira cena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03410209481091663771</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30664371.post-116446543786792568</id><published>2006-11-25T06:15:00.000-08:00</published><updated>2006-11-26T19:24:16.036-08:00</updated><title type='text'>Conto Erótico</title><content type='html'>Como escrever um conto erótico?&lt;br /&gt;Com que palavras se erotiza um conto?&lt;br /&gt;Se o conto escorresse, sussurrasse, mordesse...&lt;br /&gt;Mas não. Não há nem mãos, nem pés e nem cabeças no conto. Nada de línguas ou olhos.&lt;br /&gt;Transformar em palavras o hálito, a respiração, os lábios estremecendo de leve. Um minúsculo estrabismo. Os pêlos na pele, a alça que cai, o arrepio subindo.&lt;br /&gt;Como colocar no conto uma mão na nuca? Uma água morna de banho? Uma gota que escorrega, desenhando as vértebras da coluna?&lt;br /&gt;O corpo claro repousando. O suor no colo. Nas coxas. A tentativa de tornar eterno o instante. De instaurar o silêncio numa infinidade de ruídos.&lt;br /&gt;Poder congelar o momento em que os lábios se abrem, antes que os olhos se fechem, o estômago apertado na ânsia da boca do outro.&lt;br /&gt;Ficar ali muito tempo.&lt;br /&gt;Até as horas afrouxarem, o ponteiro escorrer morno, os números derretendo de calor. Nenhum som a não ser um coração que bate, levemente descompassado.&lt;br /&gt;A saliva se acumulando, doce. Travando a boca, amarrando como caju.&lt;br /&gt;E então tudo volta.&lt;br /&gt;Não. Não pode ser. Não consigo erotizar um conto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30664371-116446543786792568?l=terceiracena.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://terceiracena.blogspot.com/feeds/116446543786792568/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30664371&amp;postID=116446543786792568' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30664371/posts/default/116446543786792568'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30664371/posts/default/116446543786792568'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://terceiracena.blogspot.com/2006/11/conto-ertico.html' title='Conto Erótico'/><author><name>Terceira cena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03410209481091663771</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30664371.post-116206329340291143</id><published>2006-10-28T11:58:00.000-07:00</published><updated>2006-10-28T12:24:59.896-07:00</updated><title type='text'>Para não Mais Dividir</title><content type='html'>Naquele dia ela chegou mais cedo e ele já estava em casa. Ela sorriu. Eles continuavam fazendo as coisas como se estivesse combinado. Depois de tanto tempo. Todo esse tempo. Perguntou se ele já tinha jantado. Respondeu que não. Estava esperando-a. Ainda esperava-a. Ela riu da resposta. Pareceu um pouco dramática. Ele também nunca estava em casa. Foi fazer algo para jantar. Mas o jantar já estava pronto. Ele tinha cozinhado. Ela ficou surpresa, mas não disse nada. Sentou-se com ele e jantou. Tranquila. Depois do jantar, sentaram-se juntos no sofá e ele a abraçou, longamente. Disse que não queria mais dividi-la. Já tinha se esforçado o bastante. Agora bastava. Ela respondeu que ele não a dividia, mas que eles tinham outras coisas, não mais importantes que o outro, nunca, mas também importantes. Ele balançava a cabeça, não era isso. Ele estava sendo claro, por que ela fingia que não estava entendendo? Disse de novo: &lt;em&gt;Agora não mais. Chega. Não quero mais dividi-la. É isso. Não complique. &lt;/em&gt;Ela achou romântico, mas ficou um pouco irritada. Onde ele achava que aquela conversa iria chegar? Aconselhou que fossem dormir. Ele concordou. Deitaram-se. Ele a beijou como há muito tempo... ela chorou em silêncio. Ficaram abraçados. Ela disse que o amor devia poder libertar. Que estavam juntos, que ele se acalmasse, desfranzisse a testa. Ele apenas disse: &lt;em&gt;Não. Por agora basta. Quero -a só minha. É tudo.&lt;/em&gt; Ela fingiu que não ouviu para não iniciar uma discussão e pegou no sono. O despertador tocou de manhã, ela sempre atrasada. Ele já não estava. Ela se levantou correndo para um banho.&lt;br /&gt;A porta do quarto trancada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30664371-116206329340291143?l=terceiracena.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://terceiracena.blogspot.com/feeds/116206329340291143/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30664371&amp;postID=116206329340291143' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30664371/posts/default/116206329340291143'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30664371/posts/default/116206329340291143'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://terceiracena.blogspot.com/2006/10/para-no-mais-dividir.html' title='Para não Mais Dividir'/><author><name>Terceira cena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03410209481091663771</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30664371.post-116129343180444089</id><published>2006-10-19T14:24:00.000-07:00</published><updated>2006-10-19T14:30:31.830-07:00</updated><title type='text'>Nó em pingo d´água</title><content type='html'>Sentiu o sol forte queimando suas têmporas, pensou: Quanto tempo será que estou aqui? Lembrou-se de ter pegado no sono fazia algum tempo. Abriu os olhos e viu o céu de um azul estonteante, o mar tão estonteante quanto e a areia fina e branca. Viu que ainda estava na praia. Devia ter dormido muito mesmo. Sentiu fome e resolveu ir para casa almoçar. Tentou levantar-se, em vão. Não podia. Havia algo em suas pernas que a impossibilitavam. Tentou olhar para suas pernas, mas aquilo tinha uma cor tão forte que seus olhos demoraram a perceber que aquilo se tratava de um rabo. Rabo? Sim, um rabo de peixe,  que brilhava e tinha lindos desenhos. Ficou com uma sensação estranha entre o prazer de ter em si algo tão belo e o medo de ter perdido suas pernas. Pensou então, que podia estar sonhando. Não, não estava. O beliscão que dera em si acabava de confirmar. Era isso, tinha virado uma sereia. Coisa ridícula! Parecia conto de fada. Mas lá estava. Sereia. Será que estava no meio da transformação e viraria toda peixe? Acabaria toda a beleza da coisa, deixar de ser sereia e virar um peixe grande e gordo na areia! Não, parecia que era só o rabo mesmo. Resolveu, então, até por necessidade, pois aquele calor estava matando-a,  arrastar-se até o mar. Foi fazendo isso com muito esforço, sentiu os primeiros toques na areia úmida com o prazer que se sente quando os pés nus tocam o chão de uma casa, que é só sua, pela primeira vez. Pensou em tudo que ficaria para trás quando entrasse no mar e de lá não pudesse mais sair. Não lhe pareceu tão mal a troca. Entrou, toda, na água. A sensação era maravilhosa, a água fresca que trazia um imenso alívio. Como podia ter vivido em outro lugar? Tanto tempo sem aquela sensação? Sentiu-se linda. Afinal, era hábil em alguma coisa. Nadava lindamente com seu rabo de peixe. Quis ir ao fundo, conhecer o lugar onde viveria. Foi então que aconteceu. Não podia respirar lá embaixo. Sufocava. Como podia ser? Sereias não respiravam embaixo d’água? Será que era porque ela não havia nascido sereia? Tentou de novo. Não era possível. Se insistisse morreria afogada. Ficou no meio do mar, não podia viver ali, nem fora dali. Não adiantava, não havia nenhum lugar em que ela pudesse viver. Ficou, para sempre, porque as sereias não morrem (ironia do destino?), no meio do caminho. Vivendo entre dois mundos sem pertencer a nenhum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; p.s. o título foi gentilmente cedido pela minha irmã gênio, aquela da torre, então de novo, querida, obrigado... por tudo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30664371-116129343180444089?l=terceiracena.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://terceiracena.blogspot.com/feeds/116129343180444089/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30664371&amp;postID=116129343180444089' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30664371/posts/default/116129343180444089'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30664371/posts/default/116129343180444089'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://terceiracena.blogspot.com/2006/10/n-em-pingo-dgua.html' title='Nó em pingo d´água'/><author><name>Terceira cena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03410209481091663771</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30664371.post-115938074557066553</id><published>2006-09-27T10:53:00.000-07:00</published><updated>2006-09-27T11:12:25.583-07:00</updated><title type='text'>23 de Maio</title><content type='html'>O asfalto é fofo. Foi a sensação que tive na última vez em que atravessei a 23 de maio. Fazia um frio desgraçado e eu estava pra lá de atrasada. Desci correndo do ônibus e atravessei. Eram três da tarde. Fazia frio. E então o asfalto. Muito perto. A cabeça aberta como abóbora madura, foi esse o comentário que ouvi de alguém que parou para ajudar. Me ajudar? A minha cabeça. Abóbora madura. No asfalto fofo. Nunca soube da vida dos poros. Naquele momento todos eles gritaram. Bilhões de bocas gritando em meu corpo a dor. Cada um com uma dor individual. Gritando juntos. Vi num instante meu corpo na horizontal, muito acima do chão, os tetos dos carros, o céu se aproximando, depois se afastando lentamente, o vento nas minhas costas, pensei que aquele vento poderia me lançar a outros lugares, que eu voaria por tempos-espaços afora, mas não. A voz do homem que gritava e o baque surdo do meu corpo no chão, a abóbora-cabeça que se acomodava delicadamente no asfalto, o líquido morno que empoçava embaixo do meu corpo e a falta do ar, como se, de repente, minhas narinas ganhassem autonomia e se recusassem a receber o ar, mandando-o ir morar em outro lugar, invadir outro território. Os pulmões se comprimindo. Pensando agora, já não estava mais tão frio. Tentei reconstruir o momento em que me encontrei com o veículo que me lançou ao chão. Atrasada. Mas não olhei para atravessar? Pensei ter olhado. Talvez estivesse distraída. Achei que para me lançar tão alto devia ser um caminhão, tentei olhá-lo, mas meus olhos não se moviam, tudo que eu podia ver era o céu azul,  sem nuvens e ouvia umas vozes, que falavam, falavam da demora do socorro, da maneira como me lancei na frente do veículo, de como o homem tentou desviar, eu queria dizer que não tinha visto o carro, mas agora já não sabia, exatamente, não sabia. Talvez eu o tivesse visto e achei que tinha tempo, talvez estivesse cansada da obrigação de estar viva ou apenas, é o  mais provável, apenas quisesse ver as coisas de um outro ângulo...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30664371-115938074557066553?l=terceiracena.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://terceiracena.blogspot.com/feeds/115938074557066553/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30664371&amp;postID=115938074557066553' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30664371/posts/default/115938074557066553'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30664371/posts/default/115938074557066553'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://terceiracena.blogspot.com/2006/09/23-de-maio.html' title='23 de Maio'/><author><name>Terceira cena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03410209481091663771</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30664371.post-115853094799750246</id><published>2006-09-17T14:54:00.000-07:00</published><updated>2006-09-17T15:09:09.640-07:00</updated><title type='text'>dia sem pontuação</title><content type='html'>Um pequeno cálice de cristal onde você deposita seu mais precioso líquido e mal o prova já está no fim nada de grandes goles nenhuma embriaguez tonturas essas coisas que nos levantam e arrastam levemente do chão uma suave perda dos sentidos não nada disso apenas o roçar dos lábios no líquido quente quais eram os lábios os pequenos ou grandes não lembro não sei o gosto mal provado o gozo ausente esquecido meu nome boiando no líquido junto dos teus olhos que na flutuação gritam luzes e não me deixam dormir me iluminam sem paz numa perseguição angustiante eu corro arfando o peito que sobe e desce não adianta subir que não te alcanço sempre mais rápido tão acostumado a fugir intocável perdendo o melhor pequeno cálice transparente se julgando invisível imprevisível tão desprotegido e só doando apenas um roçar de lábios uma gota de si que nem embriaga deixando morto de sede o entorno secando o calor a luz que te atravessa e explode em milhões de cores na parede do quarto escuro de novo eu acordada sempre igual grudada no teto as unhas cravadas no chão cheio de sangue da última briga o cálice no chão a esperança do filho perdida a mão de encontro ao rosto a cabeça na porta as garras nos olhos a mala feita e o homem muito longe o cálice desfeito no trincado do chão.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30664371-115853094799750246?l=terceiracena.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://terceiracena.blogspot.com/feeds/115853094799750246/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30664371&amp;postID=115853094799750246' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30664371/posts/default/115853094799750246'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30664371/posts/default/115853094799750246'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://terceiracena.blogspot.com/2006/09/dia-sem-pontuao.html' title='dia sem pontuação'/><author><name>Terceira cena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03410209481091663771</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30664371.post-115690849355348847</id><published>2006-08-29T20:12:00.000-07:00</published><updated>2006-08-29T20:28:13.623-07:00</updated><title type='text'>Desesperança</title><content type='html'>Esta manhã tem a tristeza de um crepúsculo.&lt;br /&gt;Como dói um pensar em cada pensamento!&lt;br /&gt;Ah, que penosa lassidão em cada músculo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O silêncio é tão largo, é tão longo, é tão lento&lt;br /&gt;Que dá medo... O ar, parado, incomoda, angustia...&lt;br /&gt;Dir-se-ia que anda no ar um mau pressentimento.&lt;br /&gt;Assim deverá ser a natureza um dia,&lt;br /&gt;Quando a vida acabar e, astro apagado, a Terra&lt;br /&gt;Rodar sobre si mesma estéril e vazia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O demônio sutil das nevroses enterra&lt;br /&gt;A sua agulha de aço em meu crânio doído.&lt;br /&gt;Ouço a morte chamar-me e esse apelo me aterra...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha respiração se faz como um gemido.&lt;br /&gt;Já não entendo a vida, e se mais a aprofundo,&lt;br /&gt;Mais a descompreendo e não lhe acho sentido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por onde alongue o meu olhar de moribundo,&lt;br /&gt;Tudo a meus olhos toma um doloroso aspecto:&lt;br /&gt;E erro assim repelido e estrangeiro no mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vejo nele a feição fria de um desafeto.&lt;br /&gt;Temo a monotonia e apreendo a mudança.&lt;br /&gt;Sinto que a minha vida é sem fim, sem objeto...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Ah, como dói viver quando falta a esperança!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Manuel Bandeira&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P.S. Os gênios me dóem!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30664371-115690849355348847?l=terceiracena.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://terceiracena.blogspot.com/feeds/115690849355348847/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30664371&amp;postID=115690849355348847' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30664371/posts/default/115690849355348847'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30664371/posts/default/115690849355348847'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://terceiracena.blogspot.com/2006/08/desesperana.html' title='Desesperança'/><author><name>Terceira cena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03410209481091663771</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30664371.post-115603859614394925</id><published>2006-08-19T18:22:00.000-07:00</published><updated>2006-08-19T18:49:56.206-07:00</updated><title type='text'>Confabulando</title><content type='html'>Chegou morta de fome. Foi pro fogão, cozinhou o pouco que tinha na geladeira e errou. Errou a mão no sal. Errou feio. A pouca comida que tinha ficou intragável. Sem grandes metáforas. Apenas isso. A comida insuportavelmente salgada. Comeu. Assim mesmo. Estava com muita fome, que fazer... Isso não tem nada a ver com a história. Por que isso agora? Não era nada disso. A história não era essa... Talvez a parte do intragável. Nisso era parecido. Enquanto comia o tijolo de sal pensava porque não tinha dito. Por que não tinha dito? Ele estava ali tão perto...tão perto que ela poderia tê-lo matado. Ou lhe acertado um belo soco no nariz. Não seria engraçado? Ela, tão madura, tão compreensiva, amiga, divertida. O parque de diversões de porta sembre aberta, que lhe tivesse jogado a roda gigante na cabeça? Um belo soco no nariz! Ficar admirando o sangue escorrendo... nada de grandes histórias, despedidas, sofrimentos, apenas um soco e um palavrão. Quem sabe assim ele entendesse de fato o tamanho da dor. Do desperdício. Quem sabe não fosse seu maior desejo? Sua grande espera... Alguém que lhe socasse o nariz. Talvez assim parasse com a palhaçada de se esconder atrás do próprio autoconhecimento, do não saber o suficiente. Por quer tinha que saber tanto afinal? Não podia apenas ir ao cinema de mãos dadas? Adormecer em silêncio? Jantar a dois, andar pelas ruas, dar risada? Tudo tem que ser definitivo. Seria tão mais fácil... Seria o que mais fácil??  Não disse porque não tinha mais vontade de insistir. Porque já tinha sido demais. Queria era ter lhe socado o nariz. E perdeu a chance. Ela não era mais fácil. Era mais importante, mais verdadeira, mais alegre. Não mais fácil. O belo rapaz que não sai de trás da vidraça, embaçando tudo. E acha que fica tudo certo. Como ela disse. Tudo certo. Intragável.  A vontade de explodir a sala de lágrimas, de gritos, de ódio. Como a Fênix no cinema. Transformar o professor Xavier e todos os seus bonecos em pó. De novo mentiu. Depois passou. Um copo dágua e o sal da comida se foi. Não estava mais com fome. Tudo certo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30664371-115603859614394925?l=terceiracena.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://terceiracena.blogspot.com/feeds/115603859614394925/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30664371&amp;postID=115603859614394925' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30664371/posts/default/115603859614394925'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30664371/posts/default/115603859614394925'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://terceiracena.blogspot.com/2006/08/confabulando.html' title='Confabulando'/><author><name>Terceira cena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03410209481091663771</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30664371.post-115603689377195628</id><published>2006-08-19T17:45:00.000-07:00</published><updated>2006-08-19T18:21:33.896-07:00</updated><title type='text'>Conto de Fada</title><content type='html'>Eram duas irmãs. Marina e Carolina. Ninguém as pariu. Foram pensadas e delicadamente moldadas por um grande homem que iria querê-las profundamente até o fim de seus dias. E a quem elas não abandonariam, sempre pensaram. Jamais o abandonariam.&lt;br /&gt;Uma teve seus cabelos moldados no cobre e tinha os olhos da mais bela manhã de verão. A outra tinha nos cabelos e olhos todo o breu da mais desoladora noite.&lt;br /&gt;Forma as duas colocadas numa torre. Onde nada lhes faltava. Só não tinham espelhos nem a chave da porta. Não parece essencial? Marina fora toda vestida de veludo. E à Carolina foi dada uma completa intolerância a tal tecido. Carolina fora mantida nua , e à Marina foi dada uma completa obsessão por peles. Então ficavam assim, numa eterna incapacidade de se entenderem. No desejo desesperador de uma e na aversão triste da outra. Como não tinham espelhos, tudo o que sabiam do mundo era a outra. Única visão desde o primeiro instante de existência. E sabiam da voz do homem, que nunca vinha, mas estava sempre lá. Eram iguais, sendo em tudo um oposto. Pelo amor que as unia. Amor dedicado exclusivamente ao dono da voz,  que nunca chegava. Ele passava os dias a olhá-las. Brincavam, falavam, liam. Um dia Carolina viu no vestido da irmã um pequeno buraco e vislumbrou ali uma possibilidade. Passaram dias em brincadeiras violentas, que o homem assistia atônito sem entender, tentando fazer com que o buraco aumentasse. E aos poucos ele cresceu. E um dia elas puderam se tocar. Naquele momento a voz perdeu sua criação. Nada mais interessava às pequenas a não ser o toque. O calor, a textura, as pequenas imperfeições, a imensa perfeição. E o homem não as controlava mais. Nem suas histórias que antes as mantinham fascinadas por horas, nem suas regras exaustivamente repetidas. As duas só queriam saber de descobrir a outra descobrindo assim a si mesmas. Se olhavam por horas nos olhos buscando o próprio reflexo. Se tocavam até a exaustão descobrindo suas próprias sensações e passaram a falar de coisas que elas possuíam e nunca tinham percebido. Coisas em comum. Coisas nada em comum. Aí foi que o homem  se enfureceu  de um ódio que nem ele sabia que tinha. Por dias não falou mais com elas e como elas não demonstraram falta de sua voz ele passou a imaginar uma maneira de se livrar delas. Não podia simplesmente mandá-las embora, posto que eram belas e alguém as acolheria. Ele não suportava a idéia. Passou dias sem olhá-las. Elas e suas descobertas. Uma que bem gostava da torre. Outra que não se acostumava. Temperamentos antagônicos. Nada melhor do que ter no outro o que nos falta. Um dia, não suportando mais a angústia de tê-las não as tendo pois que pertenciam antes de tudo uma à outra, o homem entrou na torre pensando surpreendê-las, que o surpreenderam esperando-o, que já o estavam fazendo há muito tempo. E ele, que sempre sabia de antemão o que iria fazer, foi traído pela mais avassaladora ternura por aquelas que eram seu sonho, sua criação. E tanto se alegraram com o encontro, e tão forte foi o amor dispensado naquela relação que a matéria não aguentou. A dele. E ele as deixou com seu corpo já vazio. Mas na imensa euforia as duas não perceberam e continuaram a descobri-lo até que ele foi deixando de existir e elas o foram esquecendo, condenadas a descoberta eterna uma da outra, em movimentos e sensações que jamais cessariam. Para sempre condenadas a si mesmas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30664371-115603689377195628?l=terceiracena.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://terceiracena.blogspot.com/feeds/115603689377195628/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30664371&amp;postID=115603689377195628' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30664371/posts/default/115603689377195628'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30664371/posts/default/115603689377195628'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://terceiracena.blogspot.com/2006/08/conto-de-fada.html' title='Conto de Fada'/><author><name>Terceira cena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03410209481091663771</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30664371.post-115569856801132990</id><published>2006-08-15T20:00:00.000-07:00</published><updated>2006-08-15T20:22:48.083-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Quando é que você é você e só? Quando a água escorre quente, amolecendo os músculos, esquentando o coração? No quarto escuro? A casa vazia. A música alta para não ouvir os próprios soluços. Quando é que você sorri de verdade, sem a intenção de agradar alguém? Quando o fogo crepita? A água evaporando. O cheiro do tempero. Da carne. Cozido. Quando é que você mostra suas garras? Quando grita sozinho, se jogando contra as paredes, na esperança de que, finalmente, a casa caia? E quando chega o inverno, você admite que seu pêlo cai? E quando surge a primavera, e a pelagem renasce e você percebe que as cicatrizes que você julgava curadas ainda são falhas e que o pêlo ainda não cobre, te impedindo de esquecer, você se decepciona? Quando é que você se trai? Quando percebe que no jogo do abandonar ou ser abandonado você sempre perde. Seja qual for a posição que você ocupe. Sorria. Com todo mundo é igual. Não se pode ganhar. ? Quando é que você admite que o seu impulso de proteger o outro é uma maneira de desarmá-lo? Quando você se rende ao fato de que no fim das contas estava mesmo era preocupado consigo próprio e quando se deu conta, o outro já não estava mais lá? E quando você diz aos berros que já não se importa? E quando é verdade? Quando é que você chora baixinho querendo o colo que você mesmo expulsou? E quando agradece alto por tê-lo expulsado? Porque no fim das contas isso estava mesmo exigindo demais de você. Quando é que você diz que está cansado? E está mesmo? Quando você se repete que já tentou muito? É real? E o que é que você tentou por você? E por mim? Quando é que você acredita no que eu digo? Mesmo no pavor há conforto? Como um sofá que nos assombra, e no entanto... dormimos nele. Dormi com ele e ele segue me assombrando. Quando foi que isso aconteceu? Quanto disso tudo faz diferença? Quanto vai restar? E onde?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30664371-115569856801132990?l=terceiracena.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://terceiracena.blogspot.com/feeds/115569856801132990/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30664371&amp;postID=115569856801132990' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30664371/posts/default/115569856801132990'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30664371/posts/default/115569856801132990'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://terceiracena.blogspot.com/2006/08/quando-que-voc-voc-e-s-quando-gua.html' title=''/><author><name>Terceira cena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03410209481091663771</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30664371.post-115562010856281736</id><published>2006-08-14T22:07:00.000-07:00</published><updated>2006-08-14T22:35:08.626-07:00</updated><title type='text'>Estátua de sal ao sol</title><content type='html'>Era sem tempo que ela corresse pra sombra!  De nada adiantava ficar mais ali, parada, no meio do jardim, esperando por um raio de sol. Ele não se dignava a estar mais de uma vez no mesmo lugar, talvez duas, nunca três. E correr o risco de que alguém lhe dissesse quando vir? Mais um pouco que ela ficasse ali e teria mesmo torrado, seca ao sol. Esturricada de espera. Era uma estátua muda, pelo bom senso, louca de vontade de gritar para que o outro, tão descuidado, de uma indiferença divertida, de brilho nos olhos fosse obrigado a escurecer e mostrar o que esconde tanto. Que ele tivesse de segurá-la, caso contrário, estaria morto e dizer uma única vez o que pensava de verdade, sem a delicadeza aprendida numa cidade distante. Não perder a paciência. Não perder a razão. Tudo resolvido. Calculado. Combinado. Tão parecidos. Um nojo leve de tanta acomodação. Tanto controle. Deixou que as plantas a invadissem. Tão mais fácil fazer parte da paisagem. Inútil dizer que estava cansada, não era verdade. Não era nada de cansaço. Era paciência. Paciência com a dor. Com a ausência. Ela já sabia de antes. Era esperar que passaria. Sempre. Nem borboletas, nem fadas no jardim cinza sem luz. O papel branco esfarelava. As palavras voavam no infinito vácuo, sem resposta. E nem valia a pena a fantasia de que era o medo. Era mesmo coisa nenhuma. A comida esquecida no fogão antes de ser terminada. O gosto amargo antes de azedar. Colocar tudo no lixo. Objetivamente. Porque há muito que protelava. A mesma panela. E dali nada saía. Cada vez que o caldo engrossava ela esperava que ia entornar e que a cozinha seria invadida de um lindo caldo de luz. Mas ele ia aguando... mirrando, sem explicação. Já era um desperdício de ingredientes. Ela ali, sentada, de água na boca... secando... Era de dar raiva. Pra que gastar mais de seu sal? Cada vez ela ficava um pouco menor. Cada vez dava um pouco mais. Insistisse e aquele homem ia acabar com sua vida! Porque era mais que querido, mais que amado, era real. Pálpavel. Era único e necessário. E sabia. Por isso um pouco de abuso, só charme. Porque mesmo a dor era menor que tudo isso e ela jamais o abandonaria. Teria trocado a eternidade se a tivesse... como não a tinha, não trocou nada. Sem prejuízos visíveis. Existem mesmo flores que não suportam o sol. O sal derrete as lesmas. Tem amores que fazem mal, secam, derretem, desperdiçam. Somos todos iguais. Melhor voltar à sombra.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30664371-115562010856281736?l=terceiracena.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://terceiracena.blogspot.com/feeds/115562010856281736/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30664371&amp;postID=115562010856281736' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30664371/posts/default/115562010856281736'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30664371/posts/default/115562010856281736'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://terceiracena.blogspot.com/2006/08/esttua-de-sal-ao-sol.html' title='Estátua de sal ao sol'/><author><name>Terceira cena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03410209481091663771</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30664371.post-115517888438687004</id><published>2006-08-09T19:43:00.000-07:00</published><updated>2006-08-09T20:01:24.430-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Saiu de casa à tarde e foi ao cinema. Sozinha. Pela primeira vez. Não se lembrava de ter estado sozinha antes. Sentou-se para assistir ao filme. Desejava ardentemente que o filme fosse bom. Teria no que pensar. A sessão estava lotada. E ela ali, sozinha. Pensou em falar com a pessoa ao lado. Perguntar as horas, quem sabe. Não conseguiu. A vontade, talvez,  não fosse tão grande. Suas vontades nunca eram muito grandes. Nem sequer as tinha em grandes quantidades. Como quase tudo em sua vida, nada em grandes quantidades nem muito forte. Apenas o medo. E agora a solidão. A segunda sessão não estava tão lotada. Não se lembrava se o filme era bom. Esteve tão perdida em seus pensamentos que não chegou a perceber. Aproveitaria essa sessão para se concentrar no filme. Não é para isso que as pessoas vão ao cinema? Não sabia mais para que ela ia aos lugares. Por que saía de casa? Alguém já tinha dito: " Sair de casa é suícidio. Mas ficar também não adianta." Não adiantava. As coisas já não adiantavam. Muito. Nem pouco.  A terceira sessão estava quase vazia. Que horas seriam? De novo o filme se fora e ela não percebera. As coisas não podiam permanecer assim. Iam e ela não percebia. Se fossem só os filmes... Achava estranho que não sentisse fome, ouvira alguém comentar que aquele filme era longuíssimo, e já era a terceira sessão. Como podia não sentir fome. Ou sede... A quarta sessão estava vazia. Totalmente vazia. Nem ela estava ali. Não esteve em nenhum lugar, nunca. Só agora sabia. Como se seu corpo andasse separado dela. Ele estava, mas ela... Só agora tinha chegado. Viu que as poltronas eram vermelhas e estavam um tanto velhas. Viu que não havia mais ninguém. Mas a quarta sessão já tinha acabado? Não teria uma quinta? O homem com a lanterna, meio irritado , veio lhe avisar que ela tinha de ir. Ir? Para onde? Para onde vai alguém que está sozinho?  Sozinho. Verdadeiramente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30664371-115517888438687004?l=terceiracena.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://terceiracena.blogspot.com/feeds/115517888438687004/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30664371&amp;postID=115517888438687004' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30664371/posts/default/115517888438687004'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30664371/posts/default/115517888438687004'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://terceiracena.blogspot.com/2006/08/saiu-de-casa-tarde-e-foi-ao-cinema.html' title=''/><author><name>Terceira cena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03410209481091663771</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30664371.post-115509859738945053</id><published>2006-08-08T21:33:00.000-07:00</published><updated>2006-08-08T21:43:17.400-07:00</updated><title type='text'>Não Entender</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/4934/3293/1600/gato%20loco.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4934/3293/320/gato%20loco.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Não entendo&lt;/span&gt;. &lt;/em&gt;Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender. Entender é sempre limitado. mas não entender pode não ter fronteiras. Sinto que sou muito mais completa quando não entendo. Não entender, do modo como falo, é um dom. Não entender, mas não como um simples de espírito. O bom é ser inteligente e não entender. É uma benção estranha, como ter loucura sem ser doida. É um desinteresse manso, é uma doçura de burrice. Só que de vez em quando vem a inquietação: quero entender um pouco. Não demais: mas pelo menos entender que não entendo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Clarice Lispector&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30664371-115509859738945053?l=terceiracena.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://terceiracena.blogspot.com/feeds/115509859738945053/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30664371&amp;postID=115509859738945053' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30664371/posts/default/115509859738945053'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30664371/posts/default/115509859738945053'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://terceiracena.blogspot.com/2006/08/no-entender.html' title='Não Entender'/><author><name>Terceira cena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03410209481091663771</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30664371.post-115491941984310749</id><published>2006-08-06T19:24:00.000-07:00</published><updated>2006-08-06T20:03:10.980-07:00</updated><title type='text'>Toupeira e Porco-Espinho</title><content type='html'>Nasci toupeira. E me entristeço de saber que quando as pessoas querem dizer que alguém é pouco esperto chamam-na toupeira. Pois não é verdade que somos pouco espertas. Trata-se, sim, de um problema de olhos. Não enxergamos bem. Não posso negar. É um jeito meio vesgo de ser, uma maneira hipermetrópica de vida. E aos outros é muito difícil que não vejamos as coisas como eles, então somos, a seus olhos, pouco inteligentes. É verdade que esse olhar meio besta cansa um pouco, e que dá trabalho explicar aos outros minha realidade distorcida. Então resolvi num dia de cansaço me fingir de porco-espinho. Minha mãe logo avisou que não daria certo, que o porco-espinho é um bicho que vive só, não por opção, mas por uma completa inabilidade de lidar com o próximo. Não acreditei, e insisti. Me parecia que me fingir de porco-espinho me pouparia uma série de aborrecimentos. Eles se defendem melhor, são mais rápidos e ninguém abusa muito da sua boa vontade. Foi o que pensei... com meu jeito vesgo de pensar. Segui declarando que sou porco-espinho, e apesar de não ter espinhos os que me cercam acreditam no que eu digo, e até enxergam em mim os espinhos que não tenho. É engraçado, depois são as toupeiras que enxergam mal... Mas ando cansada da fantasia, porque na verdade não passei a enxergar melhor, mas ganhei a inabilidade com o próximo. Então além da vida míope e embaçada agora não consigo dividir. Parece um enorme castigo por eu fingir tanto ser algo que não sou. Também não posso ser injusta... essa inabilidade foi aprendida com muito custo, não posso desprezá-la... é que vi outro dia uma toupeira que finge ser porco-espinho... e achei tão engraçado o esforço que ela faz pra se esquivar, ser forte, não se entregar... que me senti tomada por uma afeição que me desconcertou... há tanto que desaprendi o afeto! E o bobo que me viu como porco-espinho, sendo toupeira, ou o contrário, não estou bem certa, me desarmou, e fiquei assim, meio nua... sem os espinhos que eu já não tinha. E às vezes acho lindo isso de estar sem roupa, às vezes acho odioso. Ainda sou bem inábil pra lidar com qualquer outro. Particularmente com o igual disfarçado de igual, mas diferente. Mas tenho duas imensas alegrias... a de ter essa toupeira com espinhos imaginários perto e a de me redescobrir toupeira, com meu jeito míope de ser, que foge do sol de vez em quando, mas que pode deitar num colo sem espetar. Me falta conseguir dizer ao outro que meus espinhos são miopia... nada mais.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30664371-115491941984310749?l=terceiracena.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://terceiracena.blogspot.com/feeds/115491941984310749/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30664371&amp;postID=115491941984310749' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30664371/posts/default/115491941984310749'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30664371/posts/default/115491941984310749'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://terceiracena.blogspot.com/2006/08/toupeira-e-porco-espinho.html' title='Toupeira e Porco-Espinho'/><author><name>Terceira cena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03410209481091663771</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30664371.post-115405871111673532</id><published>2006-07-27T20:28:00.000-07:00</published><updated>2006-07-27T20:51:51.176-07:00</updated><title type='text'>Triste de feliz</title><content type='html'>Você já se sentiu assim? Quando a felicidade é tanta, o encontro é tão precioso que dá uma tristeza fininha no estômago? E então vem a dúvida... o que fazer com isso? Com tanta alegria, tanta luz, tanto calor...e com tanto medo. Então volta a vontade de se esconder, o não primordial, aprendido, tão bem conservado. E me deito na cama, coberta até os olhos, bem protegida. Porque já sei ser triste, mas ser feliz é muito doído, uma dor de morte, de tanta vida que de repente me invade, sem pedir licença. Daí surgem as vontades mais estranhas, de que nunca amanheça, de que os braços dele colem ao meu redor e ele não possa mais se mover, de que tudo dure pra sempre e acabe no próximo segundo. Que seus olhos não vejam mais nada a não ser meus olhos. Mas que ele não me veja em minha infinita fragilidade, em meu desejo assustador, em minha imensa imperfeição. A vontade de que ele me ceda um canto em seu peito, pra que eu possa descansar e o mínimo de segurança pra que eu não enlouqueça e uma total insegurança pra que eu enlouqueça... e me deixe muita saudade e muitas lágrimas nos olhos pra eu ter do que me queixar, mas volte rápido, pra que eu não me acostume com as queixas. E me lembre de que a vida é boa... e o céu de um azul estonteante. Que não fique, mas não me deixe jamais. E eis que estou esquisofrênica, e é uma delícia indizível. E tenho gana de gritar que o amo pelas ruas, mas ao mesmo tempo que o mundo seja surdo, para que meu amor não se profane. E peço... encarecidamente que não o desperdice, o meu amor, que ele é bom e quente, e sabe ser calmo apesar da loucura, e sabe ser louco, apesar do controle que finjo possuir. Não o desperdice, que há tanto tempo te pertence e anda tão cansado do seu canto sem luz.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30664371-115405871111673532?l=terceiracena.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://terceiracena.blogspot.com/feeds/115405871111673532/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30664371&amp;postID=115405871111673532' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30664371/posts/default/115405871111673532'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30664371/posts/default/115405871111673532'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://terceiracena.blogspot.com/2006/07/triste-de-feliz.html' title='Triste de feliz'/><author><name>Terceira cena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03410209481091663771</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30664371.post-115370745860893066</id><published>2006-07-23T19:00:00.000-07:00</published><updated>2006-07-23T19:20:49.093-07:00</updated><title type='text'>ternura</title><content type='html'>Eu te peço perdão por te amar de repente&lt;br /&gt;Embora o meu amor seja uma velha canção nos teus ouvidos&lt;br /&gt;Das horas que passei à sombra dos teus gestos&lt;br /&gt;Bebendo em tua boca o perfume dos sorrisos&lt;br /&gt;Das noites que vivi acalentado&lt;br /&gt;Pela graça indizível dos teus passos eternamente fugindo&lt;br /&gt;Trago a doçura dos que aceitam melancolicamente.&lt;br /&gt;E posso te dizer que o grande afeto que te deixo&lt;br /&gt;Não traz o exaspero das lágrimas nem a fascinação das promessas&lt;br /&gt;Nem as misteriosas palavras dos véus da alma...&lt;br /&gt;É um sossego, uma unção, um transbordamento de carícias&lt;br /&gt;E só te pede que te repouses quieta, muito quieta&lt;br /&gt;E deixes que as mãos cálidas da noite encontrem sem fatalidade&lt;br /&gt;o olhar extático da aurora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Vinicius de Moraes&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;( ao homem que tem me salvo, por dias e dias, sem se dar conta disso...)&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30664371-115370745860893066?l=terceiracena.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://terceiracena.blogspot.com/feeds/115370745860893066/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30664371&amp;postID=115370745860893066' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30664371/posts/default/115370745860893066'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30664371/posts/default/115370745860893066'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://terceiracena.blogspot.com/2006/07/ternura.html' title='ternura'/><author><name>Terceira cena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03410209481091663771</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30664371.post-115326329448575052</id><published>2006-07-18T15:38:00.000-07:00</published><updated>2006-07-18T20:15:12.030-07:00</updated><title type='text'>Sol</title><content type='html'>Eu toquei o Sol. Numa noite sem nada de especial, uma dessas noites que nenhum poeta escolheria como inspiração, eu o toquei.&lt;br /&gt;Ele veio assim, como um homem, talvez por tédio, talvez amor... Um homem de cabelos escuros que nada tem em comum comigo. A não ser os olhos. Olhos grandes e tristes. Olhos de um povo há muito tempo perdido.&lt;br /&gt;Colocou suas mãos em mim e me deixou uma marca... não importa. Agora não importa. Ele sussurrava. Sim. O Sol sussurra e é macio. E cheira bem, um cheiro morno que foi me deixando meio tonta. Tem uma força inexplicável. Incompatível com seu tamanho. E uma boca que nada tem de humana pois que é a perfeição. Ficou ali comigo. Uma noite.&lt;br /&gt;Nunca, em tempo algum, fui tão bela como em seus braços.&lt;br /&gt;Então ele se foi. Sem mais. Num segundo. Me deixou uma sensação estranha no ventre. Não é dor. Nem saudade. Nem medo. É algo que ainda não conheço, por isso chamo-a insolação.&lt;br /&gt;Me resta ainda a vontade de gritar aos quatro cantos que toquei o Sol.&lt;br /&gt;E que todo ele é beleza, que o calor que ele proporciona é único. E que cada marca que ganhei naquela noite é prazer e delicadeza.&lt;br /&gt;Eu toquei o Sol. E daria a eternidade ( se eu a tivesse) por isso.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30664371-115326329448575052?l=terceiracena.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://terceiracena.blogspot.com/feeds/115326329448575052/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30664371&amp;postID=115326329448575052' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30664371/posts/default/115326329448575052'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30664371/posts/default/115326329448575052'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://terceiracena.blogspot.com/2006/07/sol.html' title='Sol'/><author><name>Terceira cena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03410209481091663771</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30664371.post-115257805016880373</id><published>2006-07-10T17:12:00.000-07:00</published><updated>2006-07-10T17:34:10.210-07:00</updated><title type='text'>namoro novo</title><content type='html'>Não há sentido na vida, se tudo termina com a morte. Pensei. Pensei. E sorri.&lt;br /&gt;A vida é cheia de pequenas surpresas preciosas. E momentos únicos. E tanta beleza e alegria...&lt;br /&gt;E tudo isso existe por si só, não por mim. Mas eu lhes atribuo sentidos que só a mim dizem respeito. Então, se tudo perdeu o sentido devo supor que fui eu que o perdi. A culpa é minha. Me perdi.&lt;br /&gt;Os dias continuam passando. O Sol está em seu lugar, a Terra gira ao seu redor, as estações passam, os amigos ligam... tudo igual, girando. Onde o sentido disso? São como os pensamentos que me habitaram ontem à noite e se foram sem razão. Como tudo que se vai sem razão e deixa em seu lugar um silêncio oco. São minhas veias que de repente estão vazias, mas não murchas. É meu corpo, sem sangue nem desejos mas que não está morto. Estou oca e nem por isso mais leve. Nem por isso flutuo. Na verdade peso, e eu e o chão temos vivido uma relação íntima. Frequentemente me encontro colada a ele. Como dois amantes, rostos colados, o corpo que pressiona, entregue, as mãos úmidas. Olho-o tão de perto que posso ver suas imperfeições. É o risco que se corre quando se aproxima demais. Já sei que ele não é tão liso, nem tão frio, nem tão claro quanto parecia. Nem tem uma cor definida... acho que depois de tantas quedas ele também ganhou hematomas. E o sangue. O gosto de sangue na boca que se espatifou no choque, agora já ninguém nota, só se se aproximar demais...mas o gosto ficou.&lt;br /&gt;Talvez seja um truque da memória... ela tem dessas coisas.&lt;br /&gt;Creio que nos tornaremos grandes amigos, eu e o chão. Assim que eu compreender que não importa o que eu faça, ele não poderá me abraçar... E ele se acostumar com minhas lágrimas que correm e o encharcam, inundando suas frestas e o deteriorando lentamente. Aos poucos entendemos que qualquer relação é assim. Não somos diferentes. Ele me diz que já não faço mais barulho, aprendi a chorar em silêncio, é um avanço. Quase não  incomodo mais. Sei que ele se alegra com isso. E a alegria fortalece as relações. Ele sabe que me esforço. Temos futuro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30664371-115257805016880373?l=terceiracena.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://terceiracena.blogspot.com/feeds/115257805016880373/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30664371&amp;postID=115257805016880373' title='7 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30664371/posts/default/115257805016880373'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30664371/posts/default/115257805016880373'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://terceiracena.blogspot.com/2006/07/namoro-novo.html' title='namoro novo'/><author><name>Terceira cena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03410209481091663771</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30664371.post-115223888778008503</id><published>2006-07-06T19:06:00.000-07:00</published><updated>2006-07-06T19:21:28.233-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Estava cozinhando e ouvia a mesma voz que repetia, como sempre, as mesmas palavras. Já sabia que o tom iria aumentando, que as palavras se tornariam mais e mais agressivas. Teve um tempo em que se sentia humilhada, um outro em que se sentia magoada, irritada, agredida, não necessariamente nessa ordem. Depois deixou de sentir. Deixou de ouvir também. Escutava, é claro, que naquele volume ela não tinha alternativa. mas não ouvia. As coisas que ele dizia foram deixando de fazer sentido. Eram apenas sons que ela não decodificava. Mas aquele barulho era de enlouquecer. Como é que ele tinha tanto fôlego? Como podia repetir essa gritaria todos os dias por mais de... ela já não sabia. Não sabia quanto tempo. Não conseguia se lembrar de ter sido diferente. Mas sabia que tinha, apenas havia esquecido. Já não importava. Permanecia ali, cozinhando, quando a faca escorregou e lhe acertou o pulso. No susto, cortou o outro pulso, num reflexo. Foi sem querer. Pensou que andava mesmo distraída. Imagine, se cortar daquela maneira... Pela tontura que sentia devia estar perdendo muito sangue. Percebeu que a gritaria parecia agora mais baixa, como se a cozinha estivesse muito longe do resto da casa e cada vez mais. Pensou que afinal era uma benção que não tivesse filhos, pois agora eles chegariam em casa e não teriam o que jantar. Seria contrangedor, não conseguiu terminar o jantar... sorriu e teve muito sono, a voz cada vez mais longe, mais baixa, estava muito aliviada, enfim silêncio.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30664371-115223888778008503?l=terceiracena.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://terceiracena.blogspot.com/feeds/115223888778008503/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30664371&amp;postID=115223888778008503' title='7 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30664371/posts/default/115223888778008503'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30664371/posts/default/115223888778008503'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://terceiracena.blogspot.com/2006/07/estava-cozinhando-e-ouvia-mesma-voz.html' title=''/><author><name>Terceira cena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03410209481091663771</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30664371.post-115212704949526079</id><published>2006-07-05T12:10:00.000-07:00</published><updated>2006-07-06T19:06:08.583-07:00</updated><title type='text'>amor de índia</title><content type='html'>Sim, eles estavam no paraíso, e vocês me perguntam se eles se amaram.&lt;br /&gt;O que é o amor, o que era o amor? Não ouso responder.&lt;br /&gt;Que eles certamente gostavam de transar um com o outro, que Fernão não procurou outras índias porque isso nem lhe passou pela cabeça, que os dois passavam horas rolando no chão entre as folhas, brincando e gemendo, que Fernão tomava banho no rio puxado por Inaiá, que queria melhorar o cheiro dele, que Inaiá só pensava em levá-lo para o sossego de sua rede, onde pudessem brincar sem as mordidas dos bichos nas folhas, tudo isso aconteceu assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É isso o amor? Então, sim, eles se amaram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(Maria José Silveira)&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30664371-115212704949526079?l=terceiracena.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://terceiracena.blogspot.com/feeds/115212704949526079/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30664371&amp;postID=115212704949526079' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30664371/posts/default/115212704949526079'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30664371/posts/default/115212704949526079'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://terceiracena.blogspot.com/2006/07/amor-de-ndia.html' title='amor de índia'/><author><name>Terceira cena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03410209481091663771</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30664371.post-115206242071593015</id><published>2006-07-04T18:06:00.000-07:00</published><updated>2006-07-04T18:20:20.723-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Ela se cortou. Era dia de higiene pessoal, talvez ela não tivesse pensado em se cortar, mas agora parece pouco provável. Andava incomodada consigo mesma, com seu corpo, as sensações que ele trazia, as pessoas a quem ele atraía. Entrou no banheiro com seu material de higiene como fazia toda segunda quarta-feira de todo mês. Começou pelos pés, como sempre, cortou as unhas, lixou, limpou bem os pés, deixou as unhas bem curtas e pintadas com um esmalte bem claro. Não havia pés mais bem feitos. E seguiu depilando as pernas, a virilha, com muito cuidado, chegou ao sexo e sentiu o incômodo chegar a um nível insuportável. Fingiu que não tinha percebido. Seguiu com sua tesourinha, aparando os pêlos que desciam numa estrada fina concentrados apenas no centro de seu sexo. Viu ali aquela coisa pequena como um botão de flor, e tocou-o de leve. Era tão insuportável e doloroso o prazer que ele proporcionava, era tão grosseiro e covarde e burro o homem que despertava aquele prazer. Eram tantas as lágrimas derrubadas antes, durante e depois. A tesoura em suas mãos de repente lhe parecia um instrumento de libertação, de alívio. Poria um fim naquele martírio no momento em que aquela coisa insignificante não estivesse mais em seu corpo. Estaria livre do prazer que a escravizava. E o cortou. Tentou gritar mas não pôde. A dor foi tão lancinante que suas pernas cederam e sua consciência a abandonou. O sangue, o prazer e o homem escorrendo pelo ralo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30664371-115206242071593015?l=terceiracena.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://terceiracena.blogspot.com/feeds/115206242071593015/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30664371&amp;postID=115206242071593015' title='7 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30664371/posts/default/115206242071593015'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30664371/posts/default/115206242071593015'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://terceiracena.blogspot.com/2006/07/ela-se-cortou.html' title=''/><author><name>Terceira cena</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03410209481091663771</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry></feed>
